Quero te prender. Enjaular você dentro do meu mundo, arrancar do teu semblante antigos sorrisos empoeirados. Não te perder de vista, não deixar que eu saia da tua lista telefônica, não deixar que meu nome saia da listagem de "Enviados" das mensagens de textos do teu celular. Não deixar que minha foto saia do teu mural, das tuas vistas. Não deixar que minha vida se perca da tua. Quero te arrastar, te trancafiar aqui. Aqui aonde a vida passa meio errada, as horas se divertem lentas, aonde os pingos de chuva sorriem. Quero te levar na verdade para o País da sensibilidade, aonde neva e ela não te causa alergia alguma. Aonde exista o teu amor embalando o meu. O meu embalando o teu. Quero que sejamos mordidas por vampiros eternos do amor para que possamos viver para sempre. E juntas.
26 março, 2012
17 março, 2012
Sinto por ter quebrado tudo entre nós. Entenda, sofro muito por isso. Eu tento, mas minhas tentativas não se destacam mais. Parecem invisíveis, e talvez são. Talvez eu tenha tentado muito pouco durante todos estes anos. Talvez meu coração não saiba como escancarar a você tudo o que se passa dentro dele.
Estamos distantes agora, e tudo está meio perdido dentro de mim. O quebra cabeças parece ter se desmontado aqui dentro, existem peças por todos os lados. E nessa bagunça, não consigo encontrar nada. Por mais que você sofra por mim, eu também sofro por você. Se eu realmente não me importasse, eu não estaria aqui. Meus olhos não conseguem te ver na rua e não correr atrás para lhe abraçar. Preciso do entrelaço do teu abraço. Teu calor. Sinto muito a sua falta e isso é constante dentro de mim, se eu conseguisse recuperar este barco sozinha, juro que pularia no mar mesmo sem saber nadar para arrasta-lo. Eu te amo.
15 março, 2012
Estou com muita saudade de você. Sua preocupação, suas ligações, nossas brincadeiras, aquele lugar. Aquele nosso lugar aonde te vi nascer. Te segurei no colo, aonde costumava brincar em plenos 19 anos de idade de ser criança com você. De rir de tudo, de gritar, de fugir. Só a gente entendia nossa vontade de andar sem parar por todas aquelas ruas escuras que muitos achavam perigosas. A gente não achava. Não sentia medo. Nem mesmo quando surgiam vultos de algum andado de mala com a sombra de um cigarro na boca em meio a fumaça ao vento. Não sei por que, mas tudo estava bem mesmo assim. A gente só queria ser feliz. Brincar, brincar e depois brincar mais um pouco. Agora você está crescendo, escutei por aí que agora tem gingado de moça e tudo. Parece até mais velha que eu. Ouvi dizer que você também sentiu minha falta, que nunca mais foi a mesma. E de repente, putz! nunca mais vai voltar. Acabou. E eu que pensei que você eu nunca fosse perder. De certa forma, estou perdendo. Perdendo o agora. E os quantos agoras que ainda virão.
"Porque é certo que as pessoas estão sempre crescendo e se modificando, mas estando próximas, uma vai adequando seu crescimento e a sua modificação ao crescimento e à modificação da outra. Mas estando distantes, uma cresce e se modifica num sentido e a outra noutro, completamente diferente, distraídas que ficam da necessidade de continuarem as mesmas uma para a outra.
Uma pessoa quando tá longe vive coisas que não te comunica e tu aqui vive coisas que não comunica a ela. Então vocês vão se distanciando e quando vocês se encontram, vocês vão falar assim: oi, tudo bom e tal, como é que vão as coisas? E aí ele vai te falar por cima de tudo o que ele viveu e, não sei, vai ser uma proximidade distante. Não adianta, no momento que as pessoas se afastam elas estão irremediavelmente perdidas uma pra outra."
Uma pessoa quando tá longe vive coisas que não te comunica e tu aqui vive coisas que não comunica a ela. Então vocês vão se distanciando e quando vocês se encontram, vocês vão falar assim: oi, tudo bom e tal, como é que vão as coisas? E aí ele vai te falar por cima de tudo o que ele viveu e, não sei, vai ser uma proximidade distante. Não adianta, no momento que as pessoas se afastam elas estão irremediavelmente perdidas uma pra outra."
Caio Fernando Abreu
14 março, 2012
10 março, 2012
Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar.
Re-amar.
Amar
Re-amar.
Amar
Caio Fernando Abreu
08 março, 2012
Quando chego, sempre que abro á porta tenho a sensação de algo encostar em meu rosto. Parecem teias de aranha. O cheiro parece mofado. Penso que desde á última chuva você não esteve mais aqui. Lembro que lhe entreguei uma cópia da chave da porta da frente. Ou você me deu á cópia. Os ambos nos demos. Você parece não estar mais usando á sua. Ou ao menos olhando de longe para nossa casa. Ela parece triste e sombria. Parece estar sem o teu olhar. Teus olhos tão negros, parecem não estar mais lendo tudo o que ela tenta lhe mostrar. Ou ao menos sentir que você á olhou. Sentir que esteve dentro da menina dos teus olhos por alguns instantes. Este chão frio, esta poeira pelos cantos, roupas jogadas do varal desde aquela última chuva. Lá fora já faz sol, mas o chão continua molhado aqui dentro. Percebo que você não esteve aqui para seca-lo. Não consigo sozinha. Agora já não faz mais sentido algum escrever em todas ás paredes sem teu olhar para ler e compreender. Sem as verdades que tuas palavras transmitiam em resposta á aquelas expressões. Não faz sentido escrever quando você não se interessa em ler. Quando se tem a certeza de que toda e qualquer pessoa que está lendo é a água amontoada no chão frio da nossa casa. Sei que ela lê. Pois consigo ver cada uma das minhas palavras refletidas na menina dos olhos dela. Preciso que estejam na tua.Era tão natural você vir que eu nem sequer esperava ou construía pequenas surpresas para te receber. Não construía nada - sabia o tempo todo disso -, assim como sabia que você vinha completamente em branco para qualquer palavra que fosse dita ou qualquer ato que fosse feito. E muitas vezes, nada era dito ou feito, e nós não nos frustrávamos porque não esperávamos mesmo, realmente, nada. Disso eu sabia o tempo todo.
Caio Fernando Abreu
07 março, 2012
"Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo."
Martha Medeiros
05 março, 2012
"O fluxo eterno das coisas é a própria essência do mundo"
- E ainda hoje ficamos espantados com isso. É por que nos apegamos teimosamente ao que já passou e esperando no fundo, que tudo permaneça igual.
Então, é necessário um filósofo da antiguidade ou um escritor contemporâneo para nos fazer entender que nada é permanente á não ser a mudança.
Segundo Guimarães Rosa , o mais importante e bonito do mundo é isso. Que as pessoas não são sempre iguais. Ainda não foram terminadas. Mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam.
Então, semana que vem nos encontraremos aqui, e eu serei outro. E vocês também.
Lourenço - A vida da gente
02 março, 2012
O mundo anda confuso dentro da própria confusão. Ninguém sabe mais nada sobre ninguém. Não conseguem perceber que existe algo mais em uma pessoa além de marca de roupa, de sapato, ou a aparência do cabelo. Todos se vêem muito por fora. Percebo á ausência do amor quando as pessoas se olham friamente, com os olhos arregalados, tão cegos. O que está havendo com os corações que se cansaram do calor? Ficaram inatingíveis, inabaláveis. De pedra. Será que resolveram todos viajarem para o Oymyakon de uma só vez?
"Eu não consigo mais me concentrar, eu vou tentar alguma coisa para melhorar. É importante. Todos me dizem, mas nada me acontece como eu queria.
Estou perdido. Sei que estou cego para assuntos banais. Problemas no cotidiano eu já nem sei como resolver. Sob um leve desespero que me leva, que me leva daqui."
"O tempo deveria ter o ritmo dos nossos passos. Horas a menos para dias de trabalho exaustivo, minutos a mais para um café e idéias em ordem, um tempo maior para edredom, frio e pernas emboladas, horas perdidas no aconchego dos braços, pouco tempo para gente que não te acrescenta em nada, muito tempo para beijos melados de balas, tempo em câmera lenta para contar estrelas, dias inteiros para sentar no parque, ler um livro, falar com os amigos. Quero pantufas de minutos confortáveis."
Martha Medeiros
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