15 março, 2012

Estou com muita saudade de você. Sua preocupação, suas ligações, nossas brincadeiras, aquele lugar. Aquele nosso lugar aonde te vi nascer. Te segurei no colo, aonde costumava brincar em plenos 19 anos de idade de ser criança com você. De rir de tudo, de gritar, de fugir. Só a gente entendia nossa vontade de andar sem parar por todas aquelas ruas escuras que muitos achavam perigosas. A gente não achava. Não sentia medo. Nem mesmo quando surgiam vultos de algum andado de mala com a sombra de um cigarro na boca em meio a fumaça ao vento. Não sei por que, mas tudo estava bem mesmo assim. A gente só queria ser feliz. Brincar, brincar e depois brincar mais um pouco. Agora você está crescendo, escutei por aí que agora tem gingado de moça e tudo. Parece até mais velha que eu. Ouvi dizer que você também sentiu minha falta, que nunca mais foi a mesma. E de repente, putz! nunca mais vai voltar. Acabou. E eu que pensei que você eu nunca fosse perder. De certa forma, estou perdendo. Perdendo o agora. E os quantos agoras que ainda virão.


"Porque é certo que as pessoas estão sempre crescendo e se modificando, mas estando próximas, uma vai adequando seu crescimento e a sua modificação ao crescimento e à modificação da outra. Mas estando distantes, uma cresce e se modifica num sentido e a outra noutro, completamente diferente, distraídas que ficam da necessidade de continuarem as mesmas uma para a outra.
Uma pessoa quando tá longe vive coisas que não te comunica e tu aqui vive coisas que não comunica a ela. Então vocês vão se distanciando e quando vocês se encontram, vocês vão falar assim: oi, tudo bom e tal, como é que vão as coisas? E aí ele vai te falar por cima de tudo o que ele viveu e, não sei, vai ser uma proximidade distante. Não adianta, no momento que as pessoas se afastam elas estão irremediavelmente perdidas uma pra outra."

Caio Fernando Abreu



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