Medo de não ver ninguém ao redor do meu caixão quando a minha hora chegar.
Meu egoísmo afasta todas as pessoas de mim. Se eu tiver sorte, verei minha família se lamentar. Se eu ficar velha para depois morrer, será uma passagem muito triste. Sem choro, sem velas acesas, sem mãos quentes em minhas mãos frias, sem cheiro de pão de queijo vindo da cozinha em meio aos gritos de dor.
Quando criança, havia uma vizinha que sempre se lamentava sobre esta questão. Ela me dizia que temos que cultivar o amor das pessoas, que temos que visitar velórios, para que quando chegue a nossa hora, nossa casa esteja farta. Não de pessoas curiosas, e sim de pessoas que lamentam nossa morte. Que seguram nossa mão gelada, enquanto atravessamos para o outro lado.
Se eu disser, você não entenderia, mas nunca quis me afastar de você. Nunca quis te magoar.
E pensar que a tua mão quente é a que mais vou precisar na minha mão gelada.