29 fevereiro, 2012


Um pouco amedrontada com o novo. Nunca estive tão de frente com a mudança, a adaptação. As paredes do meu quarto ganharam novas rachaduras. A fresta de luz que entra pela velha janela é minha companhia durante ás longas madrugadas vazias. A antiga tinta escorrida pelo vidro daquela janela, demonstra quantas vidas estiveram naquele lugar antes da minha. Quantas pessoas dormiram naquele lugar, esteve diante do novo como estou agora. As roupas velhas jogadas pelo quintal, as vasilhas, os vidros, antigas figuras coladas na tão empoeirada parede me dizem que muitas famílias estiveram por ali. E que no meio delas, esteve uma criança, ou talvez mais de uma. Os brinquedos perdidos, me fazem lembrar dos adesivos de teto que deixei abandonados por querer no meu antigo quarto. Me faz imaginar que daqui á alguns anos, tudo se repetirá, só que no outro lugar. Que talvez alguém da idade que tenho hoje, encontre aqueles adesivos deixados para trás, e imagine quem os deixou, por que os deixou ou se simplesmente foram esquecidos.
A vida passa em uma velocidade que não conseguimos contar. E tudo amanhã será passado. Inclusive este momento que estou respirando. Estou com medo, e ninguém pode saber. Tenho que demonstrar que sou forte, que sou menina grande, que não sente medo de nada. Mas na verdade, estou abalada e feliz ao mesmo tempo. Uma mistura estranha. Eu busquei tanto o que estou vivendo, procurei tanto por respirar naquele ar. Mas, foi no outro lugar que me vi crescer, que eu costumava brincar de lutar contra as "sombras" e com minhas bonecas. Foi lá que deixei meu nome rabiscado por todos os lados e todas as lembranças. Mas tudo está passando rápido demais. Amanhã não saberei quem sou. 

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