24 fevereiro, 2012


A noite está se tornando uma batalha á ser vencida.
Não consigo mais cerrar meus olhos sabendo que você pode estar chorando em algum lugar por minha culpa. Logo veio a chuva, brava, também com raiva de mim. Aquelas luzes se acendiam e se apagavam grosseiramente em meu quarto, como quem estivesse me procurando, nervosamente, entravam e saíam pela pequena janela do banheiro, estremecendo meu corpo. Aqueles trovões pareciam gritar por meu nome, gritar ofensas, esbravejando coisas que eu não conseguia entender.
Enquanto aqueles pingos tocavam as telhas brutalmente, eu tinha vontade de correr em encontro com a chuva, de me deitar na rua, em uma esquina qualquer e deixar que a chuva me lave, lave minhas sujeiras, minhas feridas. Tive vontade de rasgar esta pele morta e esperar que a chuva  refizesse uma limpa. Tive vontade de sair correndo quando todos estivessem dormindo, correr e correr até chegar na tua casa, e te gritar, sorrir, e te abraçar. A chuva não aceita a tua raiva e a minha idiotice. Ela é nossa mãe.

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