23 fevereiro, 2012


É como se um parasita estivesse tomando conta do meu corpo. Do meu cérebro.
Sei exatamente o quanto as coisas estão erradas, o quanto deveriam serem mudadas. Mas o pior, é que não consigo me locomover. O corpo parece pesado demais, o cérebro parece bobo, vazio.
E o coração?
Meu coração é a parte viva do meu corpo. Ele está resplandescente, e ferido.
Existem um amontoado de coisas presas á ele que cada vez que se contorcem mais um pouco, ele se fere juntamente. Não é brincadeira. Sinto meu peito queimar neste momento. Coisa estranha, parece ter voz, parece querer gritar, sair, correr deste corpo sem vida. Este corpo sem nada.
Como deve ser sufocante a vida do meu coração. Não consegue se dar bem com meu corpo, nem com meu cérebro, em nenhum momento. Mas tendes á ficar preso dentro dele, na presença dele á vida inteira. Não consegue se libertar. Não concorda com as ofensas que esta boca profana diz e não diz. Não aceita os passos dados e não dados pelo corpo, coisas feitas e não feitas. Não quer mais saber destas coisas inertes que o cérebro insiste em pensar. Em fazer e não fazer.
Se eu tivesse certeza que arrancando-o com as mãos ele conseguiria sobreviver sozinho, sem o corpo e o cérebro, eu ô arrancaria.
Mas o problema é que ele não sobreviveria. Ele precisa sofrer para ter vida.

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